Ester Abreu Vieira de Oliveira*
Martin Heidegger escreveu em 1927 Ser e Tempo sobre a questão do ser. Todo homem é pensador. Todos procuram a revelação do mistério no des-velamento do não saber. No pensamento nem tudo é representação e toda representação nos leva a pensar a origem de sua vivência e a sua constituição e toda representação inclui um pensamento que não representa nada. O não pensado é um nada. O conceito do nada é um termo dos temas centrais de Heidegger. Todo questionamento é uma procura. Toda busca tem a sua prévia que lhe vem do buscador. Se vamos fazer uma pergunta sobre o Ser temos que ter dele um conhecimento prévio, porque o Ser não é uma palavra vazia, sem sentido. Dele tem-se um vocábulo de sua significação. E sobre negar alguma coisa Heidegger declara que algo deve existir em algum sentido, pois só buscamos algo que existe, porque se soubéssemos que algo não existe não o buscaríamos.
Papai Noel é um mito que desempenha o seu papel fulcral na noite de 25 de dezembro, quando atua depois de prévias aparições estimuladoras, principalmente nos comércios locais, meios de comunicações e reuniões festivas, no último mês do ano.
Nesse período natalino luzes coloridas, anjos, estrelas e a imagem de um senhor gordinho e idoso de vermelho povoam lares, ruas, salões, lojas, diferentes espaços...
Sendo um mito trata de temas que permeiam a realidade. Assim a figura mítica de papai Noel tem um caráter educativo, como símbolo de alegria, paz e união – trilogia de qualidades necessárias na humanidade nas quais o senso-comum busca alcançar.
O nascimento que se vai comemorar num ambiente cristão, no dia 25 de dezembro, é o nascimento de Jesus. Mas sobressai a figura do senhor gordinho, símbolo de alegria com a risada “ho... ho.. ho..” do prazer de oferecer secretos presentes. Ele possui barbas brancas, usa um cinto e botas de couro preto, traje vermelho, e é alcunhado de Papai Noel, conhecido em alguns países como São Nicolau, que entra secretamente nas casas, na calada da noite da véspera do Natal.
Figura do prazer secreto que estimula a imaginação das crianças dá prazer aos adultos a moverem-se para preencher a expectativa do recebedor, existe ou existiu?
As portas sempre se abrem quando comprovamos algumas verdades. Só o aborrecimento faz com que todas as coisas sejam iguais Se não estamos aborrecidos, nos interessamos por algo e se nos importamos é porque existiu. E todo mito existe e existiu na ânsia insaciável de busca do inexplicável do homem e do desejo de equilíbrio social, de paz, e de solidariedade.
Baseando nos questionamentos desse filósofo alemão se buscamos a origem da existência de Papai Noel na mítica folclórica, se a existência do mito é significativa para o povo, influenciando e contribuindo na formação da identidade e na construção da cultura para alegrar e unir os homens, Papai Noel existe e sempre existiu em toda a humanidade como um bem desejável que devia ser cultuado de janeiro a dezembro.
*Profa. Emérita da Ufes; Escritora
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