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12 JAN. 2026

Bolsonaro e os livros

Fabrício Augusto de Oliveira*


Bolsonaro quer ler, o que é bom. Quem sabe alguma luz pode, com isso, penetrar em sua mente doentia e sombria, marcada pelo desprezo à vida humana e por tentativas de golpe de Estado. Para isso, seus advogados encaminharam ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, pedido de autorização para que lhe seja concedido esse benefício concedido aos prisioneiros no Brasil, que os premia com uma remição de 4 dias por obra lida em um mês e de 48 dias no prazo de um ano. Se conseguir manter a disposição de ler um livro por mês terá sua pena diminuída em 480 dias em dez anos e em 960 em vinte anos, o que corresponde, neste último caso, a 2,7 anos, reduzindo sua condenação de 27,6 anos para 25. Não parece muito, mas são grandes os ganhos que pode obter com essa leitura. Resta saber se conseguirá resumir, fielmente, as mensagens desses livros, uma exigência deste benefício.

Não se tem conhecimento dos livros que a biblioteca da prisão em que se encontra dispõe para oferecer aos prisioneiros que lá se encontram e menos ainda dos que serão escolhidos por Bolsonaro, caso essa seja permitida. Apenas se espera que não lhe sejam destinados livros que tendem a enaltecer ditadores travestidos de “salvadores da pátria” ou dos que vendem a ideia de protetores da humanidade contra o comunismo. Isso apenas reforçaria sua crença de ter sido designado por Deus para salvar o Brasil, e, quiçá, o planeta, do caos que existe. Bons livros sobre os valores da democracia, sobre a importância da solidariedade e ainda sobre o respeito à vida humana poderão abrir sua mente para viver em sociedade, o que, absolutamente, nunca demonstrou, tratando-se de um hobessiano. Não se sabe, contudo, se Bolsonaro estará disposto a ler livros dessa natureza contrários à sua visão de mundo e à sua ideologia.

Bolsonaro tem dado mais trabalho para o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, do que quando estava livre. Nessa condição, rodava lépido e faceiro pelo Brasil, não perdia uma motociata e nem os jogos de vários times que dizia torcer, demagogicamente, sempre uniformizado, como o Palmeiras e Flamengo. Preso, seus advogados não deixam passar um dia sem pedir algum tipo de autorização ao ministro relator de seu processo, ora para a decretação de sua prisão domiciliar, ora e assiduamente para ir ao hospital fazer algum tipo de exame ou alguma cirurgia, como forma de pressionar e justificar sua saída da prisão pelas suas condições de saúde. Sua mulher, Michele Bolsonaro, que passou irritantemente a chamá-lo de “meu amor”, tem juntado sua voz a esse clamor, alegando, falsamente, não estar ele sendo bem atendido na prisão, mesmo com a Polícia Federal alegando o contrário. Ignora, assim, o 8º Mandamento da doutrina cristã, que condena quem “levanta falso testemunho”.

Pelo andar da carruagem, essa estratégia para livrá-lo do regime fechado deve perdurar enquanto existirem os recursos do PIX recebidos dos apaixonados apoiadores do ditador para ajudá-lo nessa farsa. A última investida de seus advogados é para que seja autorizada a visita ao mesmo de representantes do clero para aconselhamento espiritual. Existe uma convicção de que quem recorre em demasia ao serviço religioso são os que mais cometem pecados. Parece ser este o caso de Bolsonaro, que tantos crimes cometeu contra o país, a democracia e a população brasileira, especialmente, mas não somente, durante a pandemia da Covid-19.

Tudo indica que não será a leitura de alguns livros que irá mudar a natureza de Bolsonaro, tido como arrogante, dono da verdade, antidemocrático e insensível ao sofrimento humano, a não ser quando se trata de sua família estendida e de alguns poucos amigos. De qualquer maneira, não custa tentar para ver se se derruba o ditado de que “pau que nasce torto, morre torto”.


* Doutor em economia pela Unicamp, membro da Plataforma de Política Social e do Grupo de Estudos de Conjuntura do Departamento de Economia da UFES, articulista do Debates em Rede, e autor, entre outros, do livro “Karl Marx: a luta pela emancipação humana e a crítica da Economia Política”, publicado, em 2025, pela Editora Contracorrente.



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