• Anuncie
  • |
  • Responsáveis
  • |
  • Fale Conosco
  • |
Logomarca Debates em Rede Logomarca Debates em Rede
  • CAPA
  • ECONOMIA
    • Artigos
    • Infraestrutura e Logística
    • Inovação
  • POLÍTICA
    • Artigos
    • Notícias
  • CIÊNCIA
    • Artigos
    • Biológicas
    • Entrevistas
    • Sociais
  • POLÍTICAS SOCIAIS
    • Artigos
    • Educação
  • AMBIENTAL
    • Artigos
  • RESENHAS
    • Artigos
  • CULTURA
    • Artes
    • Crônicas & Contos
    • Vinhos
  • VÍDEOS
  • ANUNCIE
  • EXPEDIENTE
  • FALE CONOSCO

Crônicas & Contos

  1. CAPA
  2. ›
  3. Cultura
  4. ›
  5. Crônicas & Contos

19 JAN. 2026

TEMOR E ENCANTAMENTO


Ester Abreu Vieira de Oliveira*


JANEIRO inicia iluminado pelas festividades do fim do ano. É quando nasce o

Ano Novo.

O apagar da luminosidade festiva ocorre no dia seis de janeiro com OS REIS, o que nos leva à história da visita de Três Reis Magos à Virgem Mãe, para ver, em Belém, o seu Divino Filho. 

Os visitantes são guiados por uma estrela, que é imaginada na forma de um cometa, - corpo celeste que faz uma trajetória ao redor do Sol e que, ao se aproximar do Astro Rei produz gazes que se alongam como uma brilhante cauda.

As imagens desses cometas adornam casas e locais nas festividades de fins de ano, lembrando o Menino Deus e me levando de volta à minha cidade de Muqui.

Eu, em Muqui, numa noite fria, creio que era junho ou julho, de 1940 ou 41, pois  A noite estava muito fria e eu devia ter uns sete ou oito anos. Já passava das seis horas. Vinha da igreja e já havia atravessado a ponte e já estava na rua Coronel Pedro João, quando vi uma estrela que corria pelo céu, com uma luz mais forte do que as estrelas que víamos deslizando pelo firmamento e então nos concentrávamos para fazer um secreto pedido.  

  Essa estrela era diferente dessas estrelinhas costumeiras. Era grande. Apressei-me para avisar os meus pais da beleza que via. Mas ao chegar a casa, todos já tinham visto também a estrela que lindamente passava pelo céu. Disseram-me “é um cometa”. 

Não sei qual o nome desse cometa, nem o dia exato, pois era uma menina. De estrela do que sabia eram as que eu via quando, à tarde, saíamos com nossos pais para caminhar pelo Entre Morros, ou pela Estrada de Ferro Leopoldina, correndo, ora equilibrando-nos pelos trilhos, ora saltando os pontilhões e daqui e dali uma indicação dos mais velhos, que nos chamavam para perto deles, e, como sempre mais sabidos, davam-nos uma aula introdutória de astronomia, assunto em que, infelizmente, não tive oportunidade de me aprofundar. 

Iniciavam-se os ensinamentos com a “Papa Ceia”, a estrela Vênus, a primeira a aparecer. Prosseguia-se com o Cruzeiro do Sul. “Olhem é uma constelação formada por aquelas quatro estrelas. A da ponta inferior é a Estrela de Magalhães. É a mais brilhante. As outras, as das extremidades, são a Mimosa, a Rubídea e a Pálida”.

E lá vinham mais explicações sobre essa constelação que norteou muitos navegantes e se encontra na Bandeira do Brasil. “A mancha escura é o  Saco de Carvão e a porçãozinha de estrelas é a Caixinha de Jóias”. Continuavam: “Ali está Marte, Júpiter. Eles não são estrelas são planetas”. Apontavam para a constelação de Taurus, mas eu nunca consegui ver touro nenhum nas imagens das estrelas no céu, só a cruz mesmo. E durante esses passeios, sob um céu brilhante, às vezes corria uma estrela. Aí gritávamos. E fazíamos secretamente um pedido. Pleiteávamos um brinquedo ou de algum passeio desejado. Vinha depois a explicação. “É uma estrela cadente, são fragmentos de asteróides, ou restos de cometas. É um meteoro”. E lá vem a noticia de que um desses corpos tinha caído na Bahia e estava no museu no Rio de Janeiro. 

Na verdade, eu tinha receio de que em um desses passeios da estrela viajante ela caísse em minha casa. Gostava de ver as Três Marias, destaque da constelação de Orion. 

Acredito que esses apontamentos de estrelas e suas imagens no céu me despertaram o interesse de ver figuras significativas nas nuvens e nas árvores. Essas tardes familiares eram agradáveis. Mas..., mais tarde da noite, sem a companhia de adultos, mesmo com as pequenas luzes voadoras, nos bailes dos pirilampos, a tranquilidade era ameaçada, e nós, as crianças, temíamos passar pela jaqueira que dava sombra à rua, ou pela estrada do bambuzal, sombreada pela luz do luar. Toda atração do passeio das descobertas estrelares tomava novo sentido com o medo de pequenos ruídos das folhas movidas pelo vento. Da beleza que a noite estrelada tão distante proporcionou, passávamos para o terror de mortos que apareciam ou de sombras fabulosas que não víamos, mas nos aterrorizavam. Enfim, ao lado das descobertas entusiasmadas do mundo iluminado dos astros, estrelas e cometas, estava o outro lado, sem luz e sem brilho, porque como sabemos tudo só pode existir plenamente com o seu oposto ou seu complemento.


*Professora Emérita da Universidade Federal do Espírito Santo; Escritora. 


POSTAR UM NOVO COMENTÁRIO

COMENTÁRIOS

Não há comentários postados até o momento. Seja o primeiro!

LEIA TAMBÉM


Cultura| 12 JAN. 2026 Emobrás
Cultura| 29 DEZ. 2025 EXISTE PAPAI NOEL?
Cultura| 25 NOV. 2025 IJSN: sua saga e um cenário de futuro no pensamento capixaba
Cultura| 06 AGO. 2025 DIA DOS PAIS – 10 DE AGOSTO DE 2025
Cultura| 14 JUL. 2025 Escolher o caminho é preciso
Utilizamos cookies para que você tenha a melhor experiência do nosso site. Ao contínuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies.  Saiba mais.
Eu concordo
  • CAPA
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
  • CIÊNCIA
  • INOVAÇÃO
  • AMBIENTAL
  • RESENHAS
  • CULTURA
  • VÍDEOS
  • ANUNCIE
  • RESPONSÁVEIS
  • FALE CONOSCO
Logomarca Debates em Rede

É um espaço para quem gosta de escrever, de ler e de ter opiniões bem fundamentadas sobre economia, política, ciências, inovação e outros temas que afetam o cotidiano das pessoas, sempre por meio de artigos, notas, comentários e informativos facilitadores do debate e da reflexão. Ao leitor há sempre espaço reservado para interagir com os articulistas, basta registrar o comentário ao final do texto.

RECEBA NOSSOS INFORMATIVOS

FIQUE CONECTADO

© 2026 DEBATES EM REDE | Política de Privacidade

ClickAtivo Desenvolvimento de Seftware