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24 JAN. 2026

Trump e a Groenlândia: um amor não correspondido

Fabrício Augusto de Oliveira*


Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, o TACO (Trump always chicken out), bagunçou novamente o coreto, sobressaltando a economia mundial. Depois de ter fechado um acordo com a União Europeia (UE) sobre as tarifas do comércio de mercadorias com este bloco, em julho de 2025, o qual levou à sua redução para 15% das importações americanas de seus países-membros, com estes se comprometendo a reduzir parte das tarifas cobradas das importações americanas, agora fez um movimento contrário. Aumentou-as, no dia 21 de janeiro, em mais 10%, a partir de 01 de fevereiro, para oito países europeus – França, Alemanha, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia, Países Baixos e Dinamarca -, que não concordaram com sua cobiça de incorporar a Groenlândia ao território dos Estados Unidos. Em resposta a essa ameaça, o Parlamento Europeu suspendeu o acordo comercial que havia sido feito, o que foi suficiente para novamente aumentar as incertezas da economia mundial e instabilizar os mercados financeiros. Não satisfeito com essa insensatez, Trump ainda afirmou que irá aumentar a tarifa em 25%, a partir de 01 de junho, se os mesmos resistirem à sua vontade. É o Trump de sempre, com a sua índole imperialista de volta à cena em sua essência.

Depois de ter invadido a Venezuela, prendido o seu presidente, Nicolas Maduro, desrespeitando todas as normas do direito internacional e colocando uma testa de ferro, embora chavista, para dirigir este país, de acordo com sua vontade, as atenções de Trump agora se concentram na Groenlândia, enquanto lança olhares sedutores imperialistas para o Canadá. É o que pelo menos dá a entender ao postar uma imagem feita com Inteligência Artificial (IA) do mapa dos Estados Unidos, mostrando a Venezuela, a Groenlândia e também o Canadá devidamente anexados e pertencentes ao território americano. Isso pode até não vir a acontecer, mas indicam, claramente, ser este o seu ardente desejo.

Para ele, a posse da Groenlândia se justifica por se tratar de uma questão de defesa e segurança dos Estados Unidos, que poderiam perdê-la para a Rússia e a China, que também estariam, segundo ele, de olho na mesma, por se tratar de uma região geográfica estratégica. Uma grande mentira, uma de suas principais características. Isso porque os Estados Unidos ocupam sua área com bases militares desde a Segunda Guerra Mundial, chamadas atualmente de Base Espacial de Pittuffik, no noroeste da Groelândia, cuja missão é a de monitorar o espaço e os satélites de defesa dos EUA e alertar sobre possíveis ataques de mísseis ao país.

Herança da Segunda Guerra, quando a Dinamarca, tomada pelas tropas alemãs de Hitler, levou os Estados Unidos a enviarem tropas para a Groenlândia e lá construírem bases aéreas e outras instalações para defender o seu território de eventuais ataques alemães e, posteriormente, dos mísseis soviéticos no período da Guerra Fria. De lá, os Estados Unidos nunca saíram devido a um tratado assinado entre Washington e Copenhagen, posteriormente, reconhecendo o direito dos americanos de manter tropas e instalações na região. Isso significa que os Estados Unidos já ocupam legalmente essa área e, se pretendem aumentar ou aprimorar seu sistema de defesa, não precisariam tomá-la, como pretende Trump, mas apenas negociar um novo tratado em termos mais amplos e mais de acordo com as novas tecnologias espaciais para sua defesa.

Não é possível saber o que se passa na cabeça de Trump, um narcisista de mão cheia e um imperialista convicto que luta para o mundo retornar a um passado em que os países mais fortes mandavam nos demais e lhes impunham as políticas de seu interesse. Alguns analistas, no entanto, suspeitam que a obsessão de Trump pela Groenlândia tem por trás menos o objetivo da segurança dos Estados Unidos e mais o de se aproveitar e explorar suas riquezas naturais.

Embora seja um território com uma dimensão de 2,15 milhões de km² “coberto de gelo”, como ele costuma chamar a região, a Groenlândia possui várias riquezas naturais ainda inexploradas, devido à calota de gelo que recobre sua superfície tornando seus custos muito elevados, incluindo grandes depósitos de metais críticos, caso das chamadas terras raras (disprósio, neodímio), abrigando até ¼ de suas reservas globais, fundamentais para as novas tecnologias de transição energética e da produção moderna. Além disso, conta com reservas apreciáveis de urânio, níquel, platina, ouro, grafite, petróleo e gás.

Trump disse que já abriu e avançou em um acordo com a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para os Estados Unidos se tornarem donos de uma parte da Groenlândia para seus objetivos, suspendendo o aumento das tarifas que havia aprovado. Mas a União Europeia, com maior representatividade neste órgão, afirma desconhecer o mesmo. Deve ser sua velha tática de “jogar verde para colher maduro”. Mas, pelo andar da carruagem, parece que, dessa vez, não vai dar certo. 



*Doutor em economia pela Unicamp, membro da Plataforma de Política Social e do Grupo de Estudos de Conjuntura do Departamento de Economia da UFES, articulista do Debates em Rede, e autor, entre outros, do livro “Karl Marx: a luta pela emancipação humana e a crítica da Economia Política”, publicado, em 2025, pela Editora Contracorrente

 


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